domingo, 28 de fevereiro de 2010

"... e é nessas manhãs, seguidas dos porres, em que o que se pede de desjejum é chá de cordão umbilical com leite materno, na tentativa de renascimento de algo humano de volta..."

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

e ela disse assim, que se eu fosse com ela e subisse as escadas e tocasse a campanhia,
e que se eu tivesse e pudesse levar algumas gotas de alcool de qualquer qualidade
ela disse que se eu fizesse do jeito que ela mandava, ela deixaria eu falar com Jesus.

Cabra, se tem algo que me mexe é essas coisas de religião, e nem acreditar eu acredito,
é que tem tanta gente de cabeça boa que fala que de repente é tudo verdade
e eu num tenho a menor capacidade de dizer se verdade ou mentira e se direito ou certo
e na realidade nem vontade eu tenho já que religião nunca colocou mistura na minha gelada.
Aí eu fico meio confuso mas as vezes é só fome e passa logo depois da janta.

Ela era bem das donzelas, toda cheia das graça e dos gingado e as vezes bem de longe parecia até um anjo desses de filme que a gente ve em propaganda de perfume ou viagem pra longe
e eu bem que gostaria de ter com ela e até de ter ela assim da forma animal mesmo, porque eu num conheço muito as gentilezas.

Mas de outra forma, eu num queria falar com Jesus.

foi nisso que me confusei de novo e mandei ela tomar merda com vinagre
entre no onibus só para poder fingir que era do tipo que fazia alguma coisa durante as tardes
e no último ponto desci na favela que me criei.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

gravado em placa torta
de mistura de vento com porcelana
iluminuras mediocres de vida assim também

na margem de se tornar uma lembrança
vortices convidativamente azuis
(dirá unânime, algum)

e de tanto que queria
desistiu.



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

não sei de onde ou para que
transformo
que antes era de tensão, quase que infiel
é incompleto e soberano
digno apenas de sí.

franzida a testa
de di a lo gos assim
mas é claro, oras
que é merda pura concentrada

não sei pra que isso
talvez essa magia é devida
não me lembro, diretamente
mas tenho certeza de que era quase azul

ou talvez rosa.

quanto me custa para ter a mão lida?
e para a te-la reescrita?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vinteum nunca entende
Quando Setentanto vira pó.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Negocinho de fumar

Pianos de calda
e acidez profunda

Pó de pureza angelical
Samba sem harmonia

Animais deflagrados por Freud
Trens que chegam por chegar

Toma aqui o pileque
E esse negocinho de fumar

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Eu sou.

Bordões de violão velho.
Cigarros e pileques antes do meio-sol.
Questão de ser temido, gostado, testado, usado.
Cuícas de abandono sóbrio.
Humores de fazer tremer chão.
Eu sou uma metade de muito pouco, eu sou um vermelho de Godard, um personagem de Capote, um corpo que atravessa ruas e morre com tragos de fome.