quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Doce

Já toco sua pele, pele de mulher bonita, de mulher de nuvens. Já vivo em seu corpo, percorro sua barriga, aninho-me nos seus seios, adormeço entre seus cabelos. Já sinto o cheiro suave de seu corpo quando desperta, sinto a cama vibrar ao mesmo tom de sua voz.

Brinco de percorrer seus sonhos, de participar de seus olhos, de investir contra o vento para ver-lhe feliz, satisfeita, inteira. Já sinto o gosto do cotidiano renovado pelas mudanças de humor, refrescados pela presença contínua do sentimento de não se estar só, confirmado pelas noites de domingo, em que se morre devagarzinho, quando se olham e percebem-se cúmplices no pecado consumado em dia santo.

Já vejo seus sinais, saboreio com todos os meus poros a sua estranha presença, fantasio futuros que não existirão, mas fazem-me bem apenas de se imaginar. Trago pela mangueira do narguilé seu passado, tomo em copos de vinho seus erros, brindo a hostilidade do mundo lá fora. Agora tenho cá meu lugar seguro.

Seu cheiro nos lençóis, nas toalhas de banho, sua imagem montada em desejos noturnos, sua presença um fato lastimavelmente mentiroso.

5 comentários:

Canto da Boca disse...

Se isso não for amor, desaprendi o que seja.
;)

Canto da Boca disse...

[Mas vai chegar na hora certa, creia.]
;)

Ana disse...

Ah não, após a leitura do segundo texto, tenho que pedir para incluir o seu endereço como indicação no meu blog. Pode ser?

Juliana Cintra disse...

Lindooo...adoreiiii...
Parabéns Alan..

bjux.

Mão Branca disse...

o trem tá bom por aqui, hein?!