domingo, 24 de junho de 2007

Cuidado, que chove lá fora!

Uma primeira gota pula,
Queria provar para as outras
Que é possível furar o chão
E ir tão longe que nem se quer
uma gota poderia imaginar
Há tanta vida nesta queda solitária!
Que outras gotas apaixonam-se
E começam a pular
Dez, vinte, agora talvez cem
Dentro em pouco, passam de números
Tornam-se todas uma só,
Tornam-se chuva,
Chegam ao solo com toda vontade
De provar para alguma outra gota ainda sem coragem
Que dá para ultrapassar qualquer barreira
Mesmo uma gota, uma pequena gota
Pode furar o solo, pode penetrar na terra
Pode ultrapassar sonhos, pode sim!
O espetáculo que havia começado morno
Agora explode em movimento e cores
Quem das janelas assiste, abismado
Mal consegue entender como aquelas gotas
podiam tanto! E como elas provocavam em nós
Uma vontade de dizer um monte de coisas,
Uma vontade de fazer um monte de coisas
Qual era o poder daquelas gotas?
Qual era a sua magia?
Alguns casais abraçados, alguns solitários com a cabeça colada no vidro
Sentiam-se convidados a participar,
Poderiam mandar recados às gotas que ainda estavam por pular
E pedir que com ela levassem coisas que queriam fazer
Mas que por algum motivo não fizeram
Uma primeira pessoa mandou para uma gota
Um “te amo” que nunca disse, para que explodisse
Junto com a gota quando o chão se fizesse duro demais.
Muitos outros recados foram enviados
E as gotas, todas elas, pulavam abraçando
Um monte de vontades que nunca foram satisfeitas
As gotas que choviam lá fora já estavam, na verdade
Lavando aqui dentro, as pessoas ficando mais leves
Um sorriso aparecendo em lábios há muito aflitos
Mas a mensagem que a chuva passava não era pra não fazermos o que temos que fazer
Mas que deixemos explodir o que já passou, e que já deveria ter sido feito
Para que façamos o que virá, o que irá querer ser completo,
Para não nos prendermos em erros que já se foram
Deixem eles explodirem no chão,
Porque dá para ultrapassar qualquer barreira
Mesmo uma gota, uma pequena gota
Pode sim!

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Realizar sonhos? Ah, não seja piegas! Quero é ultrapassa-los!

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"Mãe não tem limite,
é tempo sem hora..."
(Funcionário Público, fazendeiro do ar, um gauche)

2 comentários:

Anônimo disse...

Vou perguntar a meu pardalzinho o que acha... porque eu, pelo menos, adorei, adorei mesmo, especialmente esse. Grata surpresa. Um abraço!

Rita

lucas l disse...

ao som do seu trovão, as águas rugem, e formam-se nuvens desde os confins da terra. Ele faz os relâmpagos para a chuva e dos seus depósitos faz sair o vento.

jerê 10:13