terça-feira, 11 de setembro de 2007

Do que liga dois pontos, e do que não faz parte da vida...

A narração da vida, ela não é linear.

Um carro freia, devagar, e o barulho do contado do ferro com a áspera superfíce da pastilha de freio faz um som bem agudo, talvez no limiar do que podemos escutar.

Os gritos de brincadeira de criança chegam pela janela, e pode-se imaginar elas correndo, contorcendo o corpo para que o pegador não as pegue, pulando alto para chegar ao lugar seguro.

Volto ao texto.

A narração da vida, não é linear.

Os choros de um nenem que mal sabe de onde vem a vida, se misturam com o latido de um cão de apartamento. Imagino, dentro, que a mãe, descabelada, tenta entreter a criança e fazer calar o cachorro.

Ônibus.

Ao texto, de novo.

E a narração da vida não é linear.

Reparaste em como andam as pessoas na rua? Cada uma possue sua característica, talvez tão única quanto impressões digitais ou desenhos da pupila. Interessantíssimo.

O vento encurva um coqueiro sossegado, e um pequeno pássaro desenha uma aureola em volta dele.

Ao texto, ao blog, concentre-se infeliz!

A vida, realmente, não é narrada linearmente!

Enquanto cá penso, e busco as tantas impressões que me foram feitas durante este dia, o apito da fábrica soa oito horas, e mais um monte de coisas inundam as minhas retinas. Fazer parte de milhares de narrativas é algo complexo e, ao mesmo tempo, completamente cotidiano! Enquanto olha, é olhado, enquanto sente, é sentido, enquanto pensa, é pensado e, ao mesmo tempo, milhares de outras histórias acontecem nesta grande cidade! Histórias essas que, cedo, tarde ou talvez nunca, cruzaram com os seus passos neste palco, mas que de forma ou outra, intereferem, refletem, copiam, plagiam, inspiram e em um todo, somos muitas partes de muitas pessoas que nem se quer sabemos de que sabor de sorvete gostam!

Moto e seus escapamentos habituais.
Avião, e o prédio treme.

A fragmentação me faz inteiro, completa-me. Os tantos cenários, as tantas falas, as tantas ações trazem consigo o reconhecível sabor da vida; O gosto da velocidade, da mudança, da novidade renovada em toda esquina, o gosto de sentir o fluxo da vida interrompido, pois viver é beber de milhares de cachoeiras, diferentes e próximas.

A moça de agora pouco, e seu sorriso gostoso.
A saudade pequena, alimentada sempre às dez horas.
A Janta.

Nada é linear,

nem se quer a narração da vida.

2 comentários:

Carla Sizino disse...

Olá, sou novata!!! Vim conhecer seu espaço. Espero sua visita também!!!

lucas l disse...

top 5 este hein!